A entrada em vigor da reforma tributária impõe às cooperativas um desafio que vai além da compreensão técnica da nova legislação.
Para Marina Lopes, sócia do escritório BMAS Advogados, a principal questão agora é como as cooperativas estão se preparando internamente para lidar com as mudanças que afetarão processos, rotinas e decisões em diferentes áreas.
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Segundo a especialista, o debate sobre a reforma não pode ficar restrito aos setores jurídico, fiscal ou contábil. “Ela alcança todas as áreas da cooperativa, do financeiro ao comercial, da operação à comunicação.
Se as equipes não entenderem como as mudanças impactam o trabalho cotidiano, o risco é tratar a reforma como algo distante e puramente técnico”, afirma.
Marina relata a experiência recente de um workshop realizado em uma cooperativa com foco justamente na preparação prática.
Em vez de apresentar apenas os principais pontos da legislação, a atividade buscou provocar reflexões diretas entre os participantes, como os impactos da reforma em cada área, as providências necessárias e a importância de se antecipar às mudanças.
De acordo com ela, esse tipo de abordagem gera maior engajamento interno. “Quando as pessoas percebem que a reforma vai modificar processos, controles, custos e até a relação com os cooperados, o tema deixa de ser abstrato e passa a fazer parte da gestão”, explica.
A advogada defende que a preparação antecipada é essencial para evitar improvisos e fortalecer a governança das cooperativas durante o período de transição. Para isso, o investimento em treinamento e capacitação das equipes é visto como um passo estratégico.
Na avaliação de Marina Lopes, a reforma tributária deve ser encarada como um desafio coletivo. “Ela não pertence apenas aos especialistas em tributação.
O impacto é amplo e, quanto antes as cooperativas envolverem suas equipes, maiores serão as chances de transformar essa mudança em uma oportunidade de fortalecimento institucional”, conclui.
Foto: Scott Graham/Unsplash

