O Paraná dará início à primeira cooperativa científica do Brasil voltada à conexão entre pesquisadores e empresários para transformar conhecimento acadêmico em produtos, serviços e novos negócios. A Cooperativa de Ciência, Tecnologia e Negócios Inovadores (CTNI Coop) foi lançada na terça-feira (9), no Palácio Iguaçu, em Curitiba.
A iniciativa é coordenada pelo Instituto CTNI – Centro de Tecnologia, Negócios e Inovação, com apoio da Fundação Araucária, e tem como proposta reunir cientistas, empresários, executivos e especialistas das áreas financeira e jurídica em um modelo cooperativista focado na inovação baseada em ciência.
O projeto nasce com foco inicial na bioeconomia, mas pretende atuar em diferentes áreas estratégicas para o desenvolvimento econômico e tecnológico do estado.
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Aproximação entre ciência e mercado
Atualmente, o Paraná conta com cerca de 26 mil doutores e forma centenas de novos pesquisadores todos os anos. Grande parte desses profissionais atua em instituições públicas ou depende de bolsas financiadas pelo setor público.
Segundo o diretor-presidente da Fundação Araucária, Ramiro Wahrhaftig, a proposta é criar novas oportunidades para que esses pesquisadores possam participar diretamente do desenvolvimento de soluções voltadas ao mercado.
“A ideia é trazê-los para essa cooperativa para que eles possam trabalhar em projetos que contem com apoio do empresariado, para desenvolver produtos para o mercado”, afirmou.
A cooperativa busca enfrentar dois desafios recorrentes no ecossistema de inovação brasileiro: a dificuldade de transformar pesquisas em empreendimentos economicamente viáveis e a limitação de oportunidades profissionais para cientistas fora do ambiente acadêmico.

Foco em setores estratégicos
A CTNI Coop pretende desenvolver projetos voltados principalmente para áreas consideradas estratégicas para a economia paranaense, como recursos hídricos, energia, produção de alimentos, transformação digital e desenvolvimento sustentável.
A proposta é utilizar o modelo cooperativista para aproximar diferentes competências e acelerar a transformação de pesquisas desenvolvidas em laboratórios em soluções aplicáveis à sociedade e ao setor produtivo.
Embora existam cooperativas formadas por pesquisadores em outras regiões do país, a CTNI Coop se diferencia por integrar, de forma estruturada, cientistas e empresários com o objetivo específico de criar novos negócios a partir da pesquisa científica.
Constituição oficial deve ocorrer nas próximas semanas
A formalização da cooperativa está prevista para as próximas semanas. A expectativa é que cerca de 20 membros-fundadores participem da constituição inicial da organização, incluindo pesquisadores e representantes do setor empresarial.
A iniciativa reforça o potencial do cooperativismo como instrumento para conectar conhecimento, inovação e desenvolvimento econômico, criando novas possibilidades para que pesquisas científicas avancem além do ambiente acadêmico e gerem impacto direto na sociedade.
Foto: Magnific

